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Publicado em: 18 de junho de 2019

Vai viajar? Vôos prolongados necessitam de cuidados respiratórios especiais

A queda da oxigenação sanguínea em grandes altitudes durante vôos prolongados pode representar riscos a pacientes pneumopatas ou que se submeteram a procedimentos cirúrgicos pulmonares. No entanto, passageiros livres de patologias também precisam estar atentos a dicas para evitar complicações, tanto pela menor mobilidade durante vôos acima de seis horas, oque aumenta o risco de tromboembolismo venoso (TEV),quanto pela menor concentração de oxigênio no sangue, causando tonturas, náuseas e vômitos.

O alerta é da pneumologista do Hospital Cárdio Pulmonar, Larissa Sadigursky. A especialista diz que pessoas com antecedentes de asma, bronquite crônica, enfisema e doenças císticas pulmonares, sobretudo os que necessitam de oxigenioterapia domiciliar prolongada, devem passar porcriteriosa avaliação do médico assistente antes de vôos de longa distância. “Normalmente, nos casos de pacientes submetidos a cirurgias pulmonares, a liberação para embarque só ocorre após sete dias do procedimento e após minuciosa avaliação médica”, explica.

Entre os exames recomendados para afastar possíveis riscos de complicações estão “a avaliação da função respiratória, através de testes de caminhada, da oximetria não invasiva e de exames para aferição da capacidade respiratória, que são consideradosfundamentais para que o paciente viaje com segurança”.

Perda de consciência

A queda da oxigenação sanguínea em viagens de avião pode causar tonturas, náuseas,perda de consciência. Já a redução da mobilidade, principalmente em vôos noturnos e após ingesta de bebida alcóolica, aumentam o risco de trombose na perna e até de embolia pulmonar.

“Avaliação adequada da oxigenação sanguínea, com testes que simulam grandes altitudes, ou a realização de testes de caminhada servem para triar pacientes que apresentam maior risco de redução da oxigenação sanguínea a níveis considerados críticos e que necessitam, portanto, de oxigênio contínuo durante o vôo”, diz a pneumologista.

Algumas dicas simples também são recomendadas para todos os passageiros de vôos considerados longos. “É importante fazer constantes movimentos com os pés para bombear o sangue dos membros inferiores, caminhar durante a viagem e ingerir água, evitando a desidratação. Além disso, deve-se dar preferência a vôos diurnos e evitar ingesta de bebida alcoólica”, orienta Larissa Sadigursky.

“Para pacientes selecionados, que devem ser submetidos a criteriosa avaliação médica por conta de comorbidades apresentadas, recomenda-se o uso de meias compressivas e até mesmo de anticoagulante profiláticos,minimizando o risco de complicações pulmonares durante o vôo”, completa.

Fóruns de Medicina Respiratória são retomados

Para discutir com maior profundidade o assunto e promover a troca de experiência com a avaliação de casos clínicos, o Hospital Cárdio Pulmonar elegeu “Fisiopatologia pulmonar em viagens de avião” como tema que marcou a retomada do Fórum Especialidades Médicas na área da Medicina Respiratória.

A atividade, que teve discussão conduzida pela pneumologista do HCP Larissa Sadigursky, na última sexta-feira (14), contou com a aula do professor da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), o pneumologista Aquiles Camelier, Doutor em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo. Participaram do debate médicos pneumologistas e cirurgiões torácicos.

“A cabine do avião é um ambiente que tem menos oxigênio do que o ar que a gente respira normalmente. O ar também é mais seco. Esses dois fatores dificultam a respiração e podem agravar doenças pré-existentes, principalmente as pulmonares crônicas como asma, DPOC e outras condições respiratórias”, enumera Doutor Aquiles.

“Se a pessoa está com alguma doença contagiosa e infecciosa, como gripe, pneumonia e tuberculose, não pode viajar porque tem o risco de contaminar outras pessoas. Os obesos devem lembrar de se movimentar durante o vôo, pois o pouco espaço entre as poltronas contribui para a imobilidade que pode causar trombose nas pernas. Recomenda-se o uso de meias elásticas por esses pacientes obesos”, orienta.

Temas – Os fóruns conduzidos pelo cirurgião torácico Ricardo Sales, coordenador da Medicina Respiratória do Hospital Cárdio Pulmonar, acontecerão a cada 15 dias com temas e discussão dos casos desafiadores do mês. O próximo encontro será de 28 de junho, das 12h às 13h, auditório do PAD.

“Todos os médicos da área respiratória estão convidados a enviar temas e casos para discussão pelo e-mail: ensinoetreinamento@cardiopulmonar.com.br”, convida.

Foto 1: Dra. Larissa Sadigursky

Foto 2: Dr. Aquiles Camelier

Foto 3: Dr. Ricardo Sales

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