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Publicado em: 03 de julho de 2020

Mais de 1 milhão de pessoas são infectadas anualmente pelo vírus da Hepatite A

Julho é dedicado à prevenção das hepatites virais e pacientes com Covid-19 podem evoluir para casos mais graves, se a doença do fígado não for tratada adequadamente

Apesar da pandemia do novo coronavírus, que tem afastado pacientes das rotinas de acompanhamento médico de outras patologias, julho continua sendo um mês dedicado à luta e à prevenção das hepatites virais, principais causas do câncer de fígado. Pacientes com coronavírus associado às hepatites podem manifestar formas mais graves da doença no fígado, como alertam especialistas.

O coronavírus pode fazer algumas alterações nas enzimas do fígado, simulando uma hepatite. “Uma vez no sangue, o coronavírus, como qualquer agente infeccioso, bacteriano ou viral, pode fazer esse processo inflamatório no fígado, causando a chamada hepatite transinfecciosa”, alerta o hepatologista Allan Rêgo, coordenador do Serviço de Gastroenterologia, Hepatologia e Endoscopia Digestiva do Hospital Cárdio Pulmonar.

O médico chama a atenção dos pacientes com hepatites virais que não estão em tratamento e contraem o coronavírus: “Eles têm risco de uma evolução pior da hepatite quando em associação com o coronavírus. Por isso, a importância da manutenção do tratamento e do acompanhamento médico”, orienta Allan Rêgo.

Dados

Estima-se que cerca de 400 milhões de pessoas estejam infectadas cronicamente pelos vírus das hepatites B e C no mundo e 1,4 milhão de pessoas sejam infectadas anualmente pelo vírus da Hepatite A, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A OMS reconhece as hepatites virais como um desafio para a saúde pública mundial e aponta que cerca de 60% dos casos de câncer de fígado são causados pelos tipos B e C”, como alerta o hepatologista. A campanha Julho Amarelo é uma iniciativa do Ministério da Saúde e do Comitê Estadual de Hepatites Virais.
Como sinaliza o especialista, segundo o Boletim Epidemiológico 2019, entre 1999 e 2018, o Brasil notificou no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) 632.814 casos confirmados de hepatites virais. Destes, 167.108 (26,4%) são referentes a hepatite A, 233.027 (36,8%) a hepatite B, 228.695 (36,1%) de hepatite C e 3.984 (0,7%) aos de hepatite D.

“No mesmo período, foram identificados, no Brasil, pelo Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), 70.671 óbitos associados às hepatites virais dos tipos A, B, C e D”, comenta.

Transmissão

Com explica Allan Rêgo, as hepatites virais são doenças infectocontagiosas causadas por diferentes vírus, entre os quais os A, B e C merecem mais destaque. “O vírus da hepatite A se destaca pela alta transmissão, mas tem evolução benigna na grande maioria dos casos e os vírus B e C pelo fato de serem doenças silenciosas que podem evoluir para cirrose e câncer do fígado”, alerta.

A transmissão do vírus da Hepatite A acontece pela exposição a fezes, através de água e alimentos contaminados e os principais sintomas são cansaço, dor abdominal, alteração da cor dos olhos e urina, que se apresentam amarelos, como esclarece Allan Rêgo.

“A transmissão da Hepatite B é essencialmente sexual, mas também pode acontecer por via vertical – no momento do parto, da mãe para o recém-nascido”, pontua.

Já a transmissão do vírus da Hepatite C acontece predominantemente através do contato com sangue ou derivados. Todas as pessoas que receberam transfusão sanguínea antes de 1992 e aqueles que se enquadrem em condições de “risco”, especialmente os usuários de drogas endovenosas (pelo compartilhamento de agulhas e seringas), devem realizar o exame diagnóstico, como orienta o médico.

“O tratamento da Hepatite A não exige uma medicação específica. Normalmente, os pacientes evoluem bem e o organismo elimina o vírus”, diz. As hepatites B e C, quando crônicas, devem ser tratadas com medicamentos específicos disponíveis pelo SUS. “Especialmente para a Hepatite C, os novos esquemas de tratamento conferem taxas de cura que se aproximam de 100%”, sinaliza o hepatologista.

Sobre a imunização, Allan Rêgo explica que existem vacinas para as hepatites A e B e especialmente a última está disponível na rede pública para indivíduos de até 49 anos.

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