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Publicado em: 15 de julho de 2015

Guillain-Barré: diagnóstico continua sendo desafio

Com letalidade entre 3 e 8%, a Síndrome de Guillain-Barré é motivo de alerta entre pacientes e médicos na Bahia, como atesta o neurologista Murilo Souza, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Cárdio Pulmonar. Descrita há quase 100 anos, ela tem tido sua ocorrência associada a dengue, zika e chikungunya. “A síndrome não é nova, mas a maior ocorrência da doença associada a essas viroses tem causado grande alerta entre médicos e pacientes”, diz dr. Murilo.

O especialista acrescenta que é preciso definir bem os sintomas para diagnosticar corretamente e tratar a doença considerada grave. Ela atinge de uma a duas pessoas a cada 100 mil habitantes e os homens são mais afetados que as mulheres.

“O diagnóstico é clínico e os exames confirmatórios são positivos após a primeira semana de sintomas. Os principais são: o estudo do liquor cefalorraquidiano, que mostra aumento de proteínas; e a eletroneuromiografia, que estuda a condução elétrica através dos nervos”, explica o neurologista.

Aproximadamente 2/3 dos pacientes relatam alguma infecção nas três semanas anteriores ao início dos sintomas. “Na sua forma mais grave, a doença pode causar insuficiência respiratória”, diz, acrescentando que trata-se de uma patologia autoimune que pode ser desencadeada a partir de doenças virais ou infecciosas, partos, cirurgias, vacinação, entre outros.

O sintoma mais característico da síndrome de Guillain-Barré é a fraqueza muscular progressiva, acompanhada ou não de alterações da sensibilidade, como coceira, queimação, dormência, que se manifestam inicialmente nas pernas e podem provocar perdas motoras e paralisia flácida. “É a maior causa de paralisia flácida aguda e subaguda aguda após a erradicação da pólio”, afirma o especialista.

Casos na Bahia

Conforme o último balanço da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) divulgado nesta segunda-feira (13), foram confirmados mais 13 casos na Bahia, elevando para 42 o número de pacientes com a doença. Dos casos confirmados, 26 pacientes têm histórico de dengue, zika e chikungunya. A morte de uma paciente de 26 anos foi registrada na última semana.

Os casos confirmados estão assim distribuídos: Salvador (26), Valença (01) Itabuna (01), Camaçari (02), Ibicuí (01), Serrolândia (01), Tanquinho (01), Jequié (01), Santa Bárbara (01), Conceição de Feira (01), Lauro de Freitas (02), Castro Alves (01), Cândido Sales (01) e ignorados (02).

SÍNDROME GUILLAIN-BARRÉ

  • 1916: Ano de descrição (há quase 100 anos)
  • Incidência anual: 1-2/100 mil habitantes
  • Característica: Os principais sintomas para o diagnóstico são fraqueza muscular e perda de reflexos profundos no exame neurológico, os sintomas na maioria estabilizam após duas semanas, até a quarta semana 90% dos casos estão estabilizados.
  • Causa: O nosso organismo produz anticorpos contra os vírus que acabam reagindo contra componentes da bainha do nervo causando a inflamação que leva a fraqueza, mais que 60% dos casos ocorrem duas a três semanas após infecção ou vacinas. Exemplo de gatilhos: sarampo, vacinas, HIV (na época da soroconversão) parto, cirurgia, etc.
  • Sintomas principais: Dor na coluna, formigamento e perda de sensibilidades, fraqueza ascendente e simétrica geralmente começa pelos membros inferiores e compromete os quatro membros podendo acometer a face, flutuação de pressão arterial e frequência cardíaca e insuficiência respiratória em casos graves.

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