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Publicado em: 30 de maio de 2020

Fumantes têm mais chance de complicações da Covid-19

Este ano, a lista dos malefícios do cigarro ficou ainda maior. É que o fumo aumenta os riscos de complicações da Covid-19, doença em fase pandêmica. Um estudo realizado na China mostrou que fumar aumenta em 14 vezes o risco de complicação. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) emitiu nota técnica incluindo os tabagistas no grupo de risco do coronavírus. No Dia Mundial sem Tabaco, 31 de maio, a pneumologista e coordenadora do Programa de Cessação do Tabagismo do Hospital Cárdio Pulmonar, Ana Thereza Rocha, destaca a importância de parar de fumar para evitar complicações e agravamento das sequelas. “Devido ao comprometimento da capacidade pulmonar, o fumante possui mais chances de desenvolver sintomas graves da doença. O trato respiratório de quem fuma sofre modificações que o predispõem às infecções e representam um fator de risco para doenças respiratórias, incluindo a Covid-19”, destaca a médica, que é doutora em Medicina e Saúde pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Ana Thereza diz que o fumo também é um fator muito importante para doenças cardiovasculares e tromboembólicas, “que têm se agravado em grande parte dos casos de coronavírus, culminando em amputações e morte.”

Sequelas

A pneumologista, que é professora da Ufba e da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), afirma que as sequelas também podem ser mais graves no fumante. “Até um terço dos pacientes hospitalizados com Covid-19, tanto em unidades de terapia intensiva quanto em enfermarias, têm tido complicação no tromboembolismo venoso (trombose venosa profunda e embolia pulmonar). Isso tem levado, inclusive, à recomendação de uso de anticoagulantes em doses profiláticas em todos os pacientes hospitalizados que não tenham contraindicação”, explica a especialista. A médica ressalta que parar de fumar agora pode trazer resultados imediatos para o fumante. “Após 20 minutos de cessação do tabagismo, a frequência cardíaca e a pressão arterial tendem a normalizar. Após 12 horas, os níveis de monóxido de carbono na corrente sanguínea se normalizam. Entre 2 e 12 semanas, a circulação melhora e a função pulmonar aumenta”, esclarece Ana Thereza. Coordenadora do Programa de Cessação do Tabagismo do HCP, a médica destaca a importância de um serviço multidisciplinar que oferece de modo continuado, a abordagem cognitivo-comportamental por pneumologista e psicólogo em consultas clínicas presenciais ou por teleconsulta.

Rede de apoio

“Priorizamos o bem-estar do paciente, ajudando-o a entender os sentimentos em relação ao cigarro, superar as suas dificuldades e prestar o apoio necessário quando houver recaída”, pontua a psicóloga do programa, Vitória Barreto. A psicóloga destaca que é importante ter consciência de que os fumantes fazem parte de um grupo de risco e que isso aumenta ainda mais a necessidade de isolamento. Ela também pontua sobre os riscos de aumentar o consumo ou ter recaída nesse período. “É preciso mapear qual rede de apoio se tem. Familiares, amigos e instituições de referência que darão esse apoio”, ensina a psicóloga, que recomenda o suporte por telefone do Conselho Federal de Psicologia para aqueles que ainda não contam com acompanhamento especializado. Basta ligar para: (71) 3019-9209

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