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Publicado em: 21 de janeiro de 2021

Estudo avalia eficácia do uso precoce de anticoagulantes em pacientes com Covid-19 em tratamento domiciliar

Hospital Cárdio Pulmonar lidera pesquisa multicêntrica e multinacional que envolve mais de 1,3 mil participantes em estágios iniciais da doença

O Centro de Pesquisa do Hospital Cárdio Pulmonar (HCP) sedia um estudo multicêntrico multinacional sobre o uso precoce de anticoagulantes em pacientes com Covid-19 que seguem em tratamento domiciliar. O objetivo é a prevenção de internações por agravamento da doença e redução dos riscos de trombose e embolia pulmonar (TVP/TEP). Além do Brasil, participam do Ethic (Early Enoxaparin for Thrombosis in Covid-19) o Reino Unido, África do Sul, Austrália e Bélgica, entre outros países.

Titular do estudo no HCP, a pneumologista Ana Thereza Rocha explica que podem fazer parte do estudo pacientes com diagnóstico de Covid-19 confirmado por RT-PCR ou IGM positivo até o 9º dia e com, pelo menos, dois fatores de risco adicionais: idade acima de 75 anos, sobrepeso (IMC > 25 kg/m2), diabetes, doença cardiovascular, uso de corticoide, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

O recrutamento se estende até julho de 2021 ou até completar os 1.370 pacientes, sendo 685 em cada grupo, no total de centros dos países participantes. O número de pacientes varia entre os centros conforme a capacidade de recrutamento, o que está relacionado ao número de novos casos de Covid-19 na região e perfil dos pacientes. “O Brasil é o segundo em inclusão de pacientes, atrás apenas da Bélgica”, diz Ana Thereza Rocha.

Os pacientes que testam positivo para a Covid-19 recebem uma ligação para agendamento de uma teleconsulta e avaliação dos critérios de elegibilidade. Neste momento, se atenderem aos critérios, são informados sobre os detalhes do estudo e recebem o convite. Pacientes com interesse espontâneo em participar podem fazer contato com o grupo de estudo do Hospital Cárdio Pulmonar através do (71) 99121-9583.

Complicações

Como o risco de complicações decorrentes da Covid-19 é geralmente maior em pacientes a partir de 55 anos e que apresentam comorbidades, essas são as pessoas com maior probabilidade de necessidade de internação hospitalar com a evolução da doença. “O estudo busca revelar se a administração de uma pequena dose de um fármaco para afinar o sangue em um estágio inicial da infecção por Covid-19 pode prevenir o agravamento da doença e evitar a necessidade de internação hospitalar”, explica.

A pneumologista Ana Thereza Rocha diz que “evidências recentes mostraram que infecções por Covid-19 podem causar coágulos sanguíneos que podem impedir a circulação do sangue em algum vaso, com o agravamento da doença em algumas pessoas, levando à internação hospitalar ou, infelizmente, em casos graves, à morte”.

O anticoagulante envolvido na pesquisa (enoxaparina) é utilizado por médicos e enfermeiros em hospitais há mais de 20 anos, ajudando a evitar que o sangue fique muito espesso e forme um coágulo. A médica explica que é mais fácil evitar a formação de novos coágulos sanguíneos do que tratar os que já se formaram.

“Apesar de alguns médicos estarem prescrevendo, não há evidências fortes que justifiquem o uso dos anticoagulantes em pacientes não internados. Qualquer forma de profilaxia de TVP/TEP no tratamento de Covid-19 fora do hospital ainda não tem indicação formal da bula do produto, dada à falta de estudos clínicos controlados neste contexto”, justifica. A médica diz ainda que, como não há tratamentos nos estágios iniciais da Covid-19, é necessário encontrar uma conduta segura e eficaz para prevenir o agravamento.

“Assim, é importantíssimo produzir evidências para estabelecer o benefício ou dano possível ao prescrever enoxaparina para pacientes com Covid-19 tratados fora do hospital. O uso de anticoagulação profilática fora do ambiente hospitalar não deve se tornar uma recomendação de rotina na prática clínica até que dados acurados justifiquem esta medida”, pontua.

Consentimento

Depois de receberem todas as informações necessárias, incluindo possíveis riscos e efeitos colaterais, os pacientes interessados em participar do estudo assinam um termo de consentimento para participar das atividades do projeto.
“É feita uma detalhada avaliação sobre a saúde do paciente, que deve informar sobre problemas que tem ou já teve, medicamentos utilizados e em uso e sobre sintomas relacionados à Covid-19”, diz a pneumologista, destacando que o estudo é randômico (ou aleatorizado) e o paciente pode ou não receber a medicação a depender do grupo de tratamento que vá fazer parte.

Durante a participação no projeto, o próprio o paciente que está em casa faz a aplicação do medicamento sob a pele, seguindo as orientações da equipe técnica. Contatos são feitos ao longo do processo (em 21 e 50 dias) para que seja relatado o progresso e tudo registrado no banco de dados da pesquisa. Caso necessário, o paciente poderá ser chamado a comparecer ao centro de pesquisa.

Centro de Estudos – Além do Ethic, o Centro de Estudos Clínicos do Hospital Cárdio Pulmonar vem conduzindo outros estudos clínicos relacionados à Covid-19 em áreas como cardiologia, nefrologia, infectologia e pneumologia, como sinaliza o gestor de Ensino, Treinamento e Pesquisa do HCP, o cardiologista Luiz Ritt.
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