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Publicado em: 27 de maio de 2020

Covid-19: medo da pandemia x eventos coronários agudos

Estudo de caso do Hospital Cárdio Pulmonar publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia reforça que ausência ou atendimento emergencial tardio podem representar sérios riscos à saúde

“Covid-19 e Eventos Coronários Agudos – Danos Colaterais”. Esse é o título do artigo escrito pela equipe de cardiologistas do Hospital Cárdio Pulmonar (HCP) e publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). O texto mostra que o medo extremo da contaminação pelo novo coronavírus tem levado pacientes a negligenciarem sintomas típicos da síndrome coronariana aguda, impondo riscos evitáveis por não buscarem atendimento emergencial a tempo.

Entre as complicações mais comuns está o infarto agudo do miocárdio, emergência médica que mais mata no mundo, com uma incidência de 43 a 144 por 100 mil/ano, com mortalidade hospitalar de 4% a 12%. “Esta mortalidade é ainda maior nos casos que chegam tardiamente ao hospital”, destaca o cardiologista Luiz Ritt, gestor de treinamento, ensino e pesquisa do HCP e um dos autores do estudo.

O cardiologista diz que essa é uma contribuição do Hospital Cárdio Pulmonar para a comunidade médica, com o objetivo de compartilhar experiências e discutir o que há de mais recente nos cuidados relacionados à Covid-19. “Diariamente, temos novas informações publicadas sobre o tema nas principais revistas científicas e a troca de experiências entre especialidades e instituições é primordial neste cenário”.

O Centro de Estudos Clínicos do Hospital Cárdio Pulmonar está desenvolvendo uma ação própria que cria um registro clínico para acompanhar e registrar dados dos pacientes com Covid-19 atendidos na unidade. “Esse material vai ser expandido para outros hospitais em Salvador, num projeto multicêntrico local em conjunto com a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública”, explica.

“O Cárdio Pulmonar está interagindo com unidades do Brasil e até de outros países, participando de outros estudos multicêntricos não só relacionados a registros, mas também voltados a tratamento de casos de Covid-19, compartilhando as diferentes estratégias aplicadas”.

Agilidade no atendimento

Ao defender a importância do tempo no atendimento, conforme aponta o relato de caso do HCP, o cardiologista diz que “a angioplastia primária, especialmente quando instituída nas primeiras 12 horas de início dos sintomas, é considerada o padrão-ouro de tratamento”. O especialista destaca ainda que o tempo do início de sintomas até a chegada ao hospital depende da percepção do paciente e valorização das queixas.

O trabalho dos especialistas do Cárdio Pulmonar aponta para a existência de relatos em diferentes centros do mundo dando conta de uma redução na frequência das admissões por infarto, com uma queda de cerca de 40% no atendimento do infarto. “Essa queda pode estar associada à redução da procura dos pacientes às unidades de pronto-atendimento diante do temor da pandemia, o que tem gerado também colapso nos sistemas de saúde”, sinaliza o cardiologista e hemodinamicista Mateus Viana, também autor do trabalho.

Outra observação relevante apontada no estudo é o abandono de medicações pelo próprio paciente, sem orientação médica. “A descontinuidade de medicações anti-hipertensivas pode contribuir para maior ocorrência de uma síndrome coronariana aguda. Por isso, as sociedades de cardiologia do mundo reforçam as recomendações da manutenção dos medicamentos. Alguns estudos até sugerem que essas medicações podem ter efeito protetor, reduzindo a inflamação pulmonar”, acrescenta outro autor do trabalho, o cardiologista Gustavo Feitosa.

Diante da pandemia e dos riscos associados à Covid-19, os especialistas que subscrevem o relato de caso alertam a população para que não deixe de valorizar sintomas sugestivos de eventos cardiovasculares e dos riscos relacionados à procura tardia de um atendimento de emergência.

“Os danos diretos da Covid-19 estão no topo da lista de discussões na mídia e nas revistas científicas, mas os potenciais danos cardiovasculares colaterais relacionados ao atendimento tardio de um paciente com evento vascular agudo não devem ser minimizados”, pontuam os cardiologistas e autores: Luiz Ritt, Eduardo Darzé, Mateus Viana, Gustavo Feitosa, Adriano Martins de Oliveira, Fabio Solano Souza.

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