PARA MÉDICOS PARA PACIENTES
Central de Atendimento: 71 4020.2322 RESULTADOS ORÇAMENTOS COVID 19

Publicado em: 03 de fevereiro de 2017

Bahia realiza primeiro caso de sucesso na correção da insuficiência da válvula mitral sem cirurgia

TAVI

Procedimento via cateter foi realizado em paciente com 82 anos que teve alta com três dias

Pacientes com contra-indicação para a cirurgia convencional e que apresentam insuficiência cardíaca por degeneração na válvula mitral contam agora com um procedimento considerado pioneiro no Norte/Nordeste. Na Bahia, o primeiro caso bem sucedido de correção desse tipo de doença por cateter (sem cirurgia) foi realizado em Salvador, dentro do Programa de Tratamento de Doenças Estruturais do Coração do Hospital Cárdio Pulmonar (HCP). No Brasil, pouco mais de 100 casos foram tratados com a técnica ainda considerada nova no país.
No caso da capital baiana, um paciente de 82 anos, de alto risco para cirurgia cardíaca aberta, foi submetido ao procedimento percutâneo e recebeu alta três dias depois. Ele sofria de insuficiência cardíaca grave, com histórico de diversas internações, conforme relata o coordenador de Medicina Cardiovascular do HCP, Eduardo Darzé.
No procedimento, que dura cerca de duas horas e é feito numa unidade de hemodinâmica, o cardiologista intervencionista acessa o coração do paciente introduzindo um cateter na região inguinal, localiza o ponto de insuficiência e implanta um “mitraclip” (ou mais) para fechar a válvula corretamente. Toda a intervenção é guiada por ecocardiografia.
“Após o procedimento, é esperada uma melhora significativa dos sintomas e da qualidade de vida do paciente, o que já pode ser vivenciado pouco tempo depois da sua realização, como no caso do paciente que tratamos”, diz o cardiologista intervencionista responsável pelo procedimento, Carlos Vinícius Abreu do Espírito Santo.
Especialista em Cardiologia e Cardiologia Intervencionista pelo Instituto do Coração da USP (Incor) e formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), Carlos Vinícius destaca que a avaliação para a indicação da técnica é feita por uma equipe multidisciplinar e precisa do aval do cirurgião cardíaco, que também acompanha a intervenção.

A doença
Segundo o cardiologista Eduardo Darzé, a insuficiência cardíaca causada pela degeneração da válvula mitral caracteriza-se pelo seu fechamento incorreto, provocando uma espécie de refluxo. “Nestes casos, o sangue que deveria sair do coração acaba retornando ao átrio esquerdo, causando a insuficiência cardíaca e a sobrecarga do coração”, explica.

Doença frequente, a insuficiência mitral tem como tratamento o reparo ou troca da válvula através de cirurgia cardíaca convencional. “No entanto, o procedimento percutâneo é indicado para os pacientes com alto risco cirúrgico ou com risco cirúrgico proibitivo, normalmente aqueles com idade avançada e outras doenças associadas”, completa o cardiologista Carlos Vinícius.
“A insuficiência da válvula mitral é uma causa frequente de descompensação em pessoas com insuficiência cardíaca, estando presente entre 35% e 50% desses pacientes”, pontua o intervencionista. Esse tipo de insuficiência pode ser causada por prolapsos, em pacientes mais jovens, e por degeneração da idade e doença das artérias coronárias em pacientes idosos.

Programa
O Programa de Tratamento de Doenças Estruturais do Coração do Hospital Cárdio Pulmonar está voltado para a solução de problemas cardíacos de forma minimamente invasiva. Destina-se a tratar casos que envolvem defeitos em válvulas cardíacas e doenças congênitas.
Em cerca de dois anos, a equipe do HCP já realizou com sucesso dez implantes de próteses de válvulas aórticas (TAVI) sem a necessidade de cirurgia cardíaca. Se não tratados, esses pacientes com risco cirúrgico muito alto têm alta mortalidade, como explica o cardiologista Eduardo Darzé.

MAIS NOTÍCIAS