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Revascularização do Miocárdio (Ponte de Safena) << voltar

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O que é a revascularização cirúrgica do miocárdio?

ponte de safena

A cirurgia de revascularização do miocárdio, também conhecida como cirurgia de ponte de safena, tem como objetivo melhorar o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco em pessoas que apresentam obstruções graves nas artérias do coração (coronárias).

É um procedimento que utiliza veias ou artérias saudáveis das pernas, dos braços ou do tórax do próprio paciente para criar um caminho alternativo para o sangue. Essas veias e artérias são chamadas de pontes, pois redirecionam o sangue para uma área da coronária localizada após o segmento obstruído (Figura 1). Assim é possível contornar o bloqueio das coronárias reestabelecendo o fluxo de sangue normal para o músculo cardíaco.

 

1. Como é feita a cirurgia?

A cirurgia de revascularização requer anestesia geral e dura em torno de 3 a 6h. Na técnica tradicional o cirurgião faz um corte longo no centro do tórax e através do esterno – osso localizado na parte da frente do tórax – alcança o coração. Depois de aberto o tórax, uma medicação faz com que o coração pare temporariamente de funcionar e a máquina de circulação extracorpórea (CEC) assume o controle da circulação e da oxigenação do sangue, substituindo a função do coração e dos pulmões enquanto o cirurgião implanta as pontes.  Terminada a cirurgia, o cirurgião reestabelece os batimentos cardíacos e desconecta o paciente da máquina coração-pulmão. São colocados fios de marca passo temporários no coração para tratar quaisquer arritmias e drenos especiais são deixados temporariamente para eliminar resquícios de sangue na cavidade do tórax. O osso do tórax é fechado com um fio de aço que permanecerá no organismo mesmo após a cicatrização da ferida.

Novas técnicas cirúrgicas foram desenvolvidas para diminuir o desconforto e os riscos da cirurgia tradicional:

  • Cirurgia minimamente invasiva: Nessa abordagem, o cirurgião capacitado obtém acesso ao coração através de cortes pequenos entre as costelas ou um corte parcial do esterno, frequentemente com o auxilio de imagens de uma câmera que permite uma visão ampliada do coração.
  • Cirurgia sem circulação extracorpórea: Essa técnica permite que a cirurgia seja feita com o coração batendo através de equipamentos que estabilizam a área na qual o cirurgião está trabalhando.

cec

As novas técnicas não são indicadas para todos os pacientes e exigem do cirurgião e do hospital treinamento especial e estrutura tecnológica adequada.

 

2. Quais são os benefícios da cirurgia?

A cirurgia de revascularização é uma das opções de tratamento para alguns pacientes com bloqueios nas artérias coronárias, assim como a angioplastia com implante de stents. Já o tratamento com medicamentos e mudanças no estilo de vida para controle dos fatores de risco está indicado para todas as pessoas portadoras de placas de colesterol, pois reduzem o risco de complicações como infarto e AVC, e a chance de progressão dessas placas.

Normalmente, a cirurgia de revascularização é considerada nas seguintes situações:

  • Pacientes com dor no peito (angina) persistente apesar do tratamento com medicamentos.
  • Quando o tronco da coronária esquerda está gravemente obstruído. Essa artéria supre a maior parte do sangue para o coração.
  • As obstruções das coronárias são muito graves e extensas, particularmente se a função do coração não está normal.

A escolha da melhor estratégia de tratamento – a cirurgia de revascularização ou a angioplastia com implante de stent – é um processo complexo que exige a participação do cardiologista clínico, do cardiologista intervencionista e do cirurgião cardíaco (Heart Team). O entendimento das preferências e expectativas do paciente é fundamental para a tomada de decisão sobre o melhor caminho a seguir.

 

3. Quais são os riscos da cirurgia?

A cirurgia de revascularização do miocárdio é segura e o risco de complicações é geralmente baixo, mas depende da saúde geral do paciente antes da cirurgia e se o procedimento será programado eletivamente ou realizado em caráter de urgência.  Problemas como diabetes, insuficiência renal, enfisema, obstruções das artérias do cérebro e das pernas aumentam o risco de complicações cirúrgicas. A expertise da equipe cirúrgica e o treinamento da equipe hospitalar no cuidado pós-operatório são também de extrema importância para garantir bons resultados cirúrgicos.

Possíveis complicações da cirurgia incluem: sangramento, arritmias cardíacas, AVC, infecções e disfunção dos rins.

 

4. Qual o preparo necessário para a cirurgia?

Informações detalhadas sobre o preparo para cirurgia serão fornecidas pelo cirurgião e pela equipe do hospital.

  • Parar de fumar ao menos um mês antes da cirurgia é importante, pois reduz a quantidade de secreção respiratória, reduz o risco de infecção e acelera sua recuperação no pós-operatório;
  • Para alguns pacientes será indicado o uso de suplementos alimentares para melhorar seu estado nutricional;
  • Medicamentos que afinam o sangue como aspirina e outros anticoagulantes devem ser suspensos antes da cirurgia (Anticoagulantes – Varfarina, dabigatrana, rivaroxibana, apixabana, edoxabana);
  • Antes da cirurgia, nosso banco de sangue entrará em contato para captação de doadores. A colaboração dos pacientes e familiares é fundamental para garantir o adequado preparo de bolsas de sangue e outros derivados, caso sejam necessários durante o procedimento cirúrgico;
  • Não será possível comer ou beber qualquer coisa a partir da meia-noite do dia do procedimento;

 

5. E como será minha recuperação?

  • Depois da cirurgia o paciente é levado para a UTI cardiovascular para a primeira etapa da recuperação pós-operatória. Algumas horas depois, na medida em que o paciente desperta da anestesia e se torna capaz de respirar por si mesmo, o tubo que esta conectado aos pulmões será retirado, permitindo a respiração sem aparelhos;
  • Dois ou três tubos (drenos) estarão conectados ao tórax do paciente para remover ar e sangue residuais da cirurgia. Estes são retirados pelo cirurgião em 24-48h;
  • O paciente será estimulado a respirar fundo e colaborar com nossa equipe de fisioterapeutas para evitar o acúmulo de secreção e promover a expansão adequada dos pulmões;
  • Uma faixa elástica será colocada ao redor do tórax para garantir a estabilidade e cicatrização adequada da ferida cirúrgica;
  • O paciente poderá sentar na cama com as pernas pendentes no dia seguinte à cirurgia e, após a remoção dos drenos, já será estimulado a levantar e caminhar;
  • Desconforto e dores no tórax são comuns após a cirurgia, por isso, analgésicos serão administrados rotineiramente. O paciente pode e deve solicitar medicamentos para dor, se achar necessário;
  • Na UTI, o paciente sempre estará ligado a um monitor cardíaco e de oxigenação, terá um acesso venoso e fará exames de RX e de sangue, diariamente;
  • Normalmente, após 48h, o paciente recebe alta da UTI para um apartamento, onde deve continuar o processo de recuperação. Nessa fase, uma boa alimentação e os exercícios de fisioterapia motora e respiratória são fundamentais para acelerar sua reabilitação e retorno para casa.

 

6. O que acontece após a alta hospitalar?

A alta hospitalar acontece normalmente após 5-7 dias da cirurgia. Nesse momento, o cardiologista clínico e o cirurgião fornecerão informações sobre dieta, atividade física e sexual, cuidados com a ferida cirúrgica, medicamentos e momento do acompanhamento em consultório.

O paciente deve se planejar para ter algum familiar, amigo ou acompanhante em casa durante o primeiro mês, pois nesse período pode necessitar de ajuda nas tarefas do dia a dia. A recuperação plena da cirurgia acontece entre 4-6 semanas.

Todos os pacientes que se submetem a cirurgias cardíacas são candidatos a participar de um programa estruturado de reabilitação cardíaca e respiratória. Com o programa, os pacientes têm uma recuperação física e emocional mais rápida e uma acentuada melhora na qualidade de vida.