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Publicado em: 07 de agosto de 2018

Fake News minimizam riscos do colesterol para doenças cardiovasculares

Falsas notícias que negam ou minimizam os riscos causados pelo colesterol para a ocorrência doenças cardiovasculares colocam pacientes em risco. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que mais de 17 milhões de pessoas morrem por ano no mundo por doenças cardiovasculares. No Brasil, são cerca de 300 mil mortes/ano por infarto e acidente vascular cerebral.
O alerta é feito pelo diretor Médico do Hospital Cárdio Pulmonar (HCP), o cardiologista Eduardo Darzé, diante do Dia Nacional do Controle do Colesterol – 8 de agosto. “Há muita informação disponível e, muitas vezes, o paciente acaba acreditando em mitos de que o colesterol não tem relação com doenças cardiovasculares, o que é perigoso e contraria evidências científicas consolidadas”, garante.
As fake news, como afirma Darzé, vão de encontro a estudos que acompanharam milhares de pacientes por décadas, demonstrando a forte associação entre risco de infarto e níveis de colesterol. “Adicionalmente, outros estudos randomizados e cegos, demonstraram que pacientes tratados com estatinas, medicamentos que reduzem o colesterol ruim, tiveram um risco de infarto e AVC inferior aos que receberam placebo, comprimido igual ao do medicamento, mas sem substâncias ativas”, explica.
“Nesses estudos, os pacientes são alocados aleatoriamente nos grupos e nem eles nem os médicos sabem se estão recebendo estatina ou placebo. Essa é uma evidência definitiva e incontestável de que pacientes de alto risco se beneficiam do tratamento com estatinas”, atesta o especialista.

Novos parâmetros

Eduardo Darzé explica que as taxas de colesterol “bom” e “ruim” (HDL e LDL) são medidas por exame de sangue e, em 2017, confirmando os estudos baseados em evidências científicas, as principais sociedades de cardiologia no mundo, incluindo a brasileira, reviram os parâmetros do colesterol, tornando mais rigorosas as diretrizes.
A mudança atinge principalmente o LDL. Pacientes com risco cardíaco muito alto devem atingir níveis de LDL inferiores a 50 miligramas por decilitro de sangue, segundo novos marcadores no Brasil. Antes, o ideal era 70mg/dL. Para o HDL, o desejável que era acima de 60 mg/dL passou a ser superior a 40 mg/dL.
Na prática, os exames de colesterol passam a indicar quais os valores de referência de acordo com o risco cardíaco de cada paciente, que leva em conta fatores como idade, diabetes e fumo. Para auxiliar a avaliação de médicos sobre os grupos de risco, a Sociedade Brasileira de Cardiologia lançou um aplicativo gratuito e uma série de escores de risco estão disponíveis.

Prevenção e medicamentos

Eduardo Darzé diz que ainda é preciso investir em prevenção e que as altas taxas de colesterol também atingem crianças e adolescentes. “Na infância, o colesterol alto está relacionado, na maioria dos casos, à má alimentação e ao sedentarismo, salvo em situações mais raras, quando é provocado por doença genética. Neste caso, é necessário o tratamento com medicamento”, orienta.
“Apesar de não apresentarem problemas imediatos, crianças e adolescentes com elevação do colesterol têm risco aumentado de doenças cardíacas na fase adulta”, salienta o especialista. Consensos internacionais indicam que a primeira dosagem de colesterol seja a partir dos 10 anos.
“De modo geral, as estratégias de prevenção devem envolver alimentação rica em frutas, verduras, cereais e carnes magras, prática regular de exercícios físicos, controle do estresse, da pressão arterial e do diabetes, combate ao fumo e à bebida alcoólica em excesso e acompanhamento médico regular para avaliação do risco cardiovascular associado à realização de exames complementares, quando necessário”, enumera Eduardo Darzé.
Segundo o Ministério da Saúde, a prática regular de exercícios físicos está entre os aliados da prevenção. O sedentarismo é responsável por 54% dos riscos de morte por doenças cardiovasculares, 50% dos de derrames fatais e 37% dos riscos de câncer.
Na área do tratamento, o avanço da ciência possibilitou o desenvolvimento e a adoção de novos e mais potentes medicamentos para a redução das taxas de colesterol e do risco de doenças cardíacas. Drogas subcutâneas foram introduzidas há cerca de um ano e podem ser associadas às tradicionais estatinas, que agem na síntese do LDL e, em geral, são bem toleradas pelos pacientes. “Os novos medicamentos ainda são caros e devem ser restritos a casos especiais”, diz Darzé.

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